🎵 Lyrics
Os meus amigos foram embora, verão vazio em Lisboa, as ruas passam sem pressa, e eu passo sem ter com quem ir. Caminho só, mãos nos bolsos, olhos cansados de olhar, a cidade parece enorme quando não há com quem falar. Num banco, à sombra do parque, um vestido claro a florir, uma rapariga parada, tão entediada quanto eu aqui. Sento-me perto, digo “olá”, rimos do tempo parado, as palavras vêm sozinhas, como se já nos soubéssemos. E de repente o dia corre, o relógio esquece o lugar, quando dois aborrecimentos decidem juntos caminhar. Lisboa abre outra porta, o verão volta a sorrir, não era falta de amigos — era só falta de te encontrar. Passamos cafés e esquinas, conversas leves no ar, o tempo voa entre risos, sem pedir para ficar. De uma janela sai música, Solamba doce a chamar, num pátio, luzes e dança, gente a girar, a cantar. E de repente o dia corre, o tédio aprende a dançar, quando dois caminhos vazios se cruzam sem avisar. Lisboa bate palmas, o chão começa a florir, não era solidão — era só o tempo até te ver ali. Levo-te até à pista, a cidade fica atrás, o corpo aprende o ritmo, o resto já não importa mais. E se o verão tinha parado, voltou no teu sorrir, Lisboa dança connosco para nunca mais nos perdermos aqui.
