🎵 Lyrics
Pelas ruas estreitas de Alfama eu vou, passos lentos, a noite ficou. Onde dançámos outrora, hoje há silêncio, só a lanterna vela o tempo suspenso. Aqui, um bar pequeno — Anabelle a girar, riso leve, saia a voar. Ali, um pátio escondido, luz floral, uma rapariga em vestido claro, final de verão. Nem tudo fica, nem tudo espera, algumas coisas vivem porque passam depressa. O que foi belo não pede mais, fica no peito… e segue em paz. Neste café eu tocava, ela dançava, o mundo inteiro ali começava. Num largo pequeno, dançava-se Solamba, até que a noite virasse lembrança. E o comboio partia para Sintra ao luar, com amigos, canções, sem pensar em voltar. Hoje só fico a ouvir o que ficou, a música baixa que a vida deixou. Nem tudo fica, nem tudo espera, algumas coisas vivem porque passam depressa. O que foi belo não pede mais, fica no peito… e segue em paz. A última lanterna apaga devagar, Alfama dorme… e eu aprendo a deixar.
