🎵 Lyrics
No salão cheio, luz a oscilar, vi-te no canto, sem me chamar. Os pés sabiam, o corpo também, mas fiquei onde estava… não fui além. Nos treinos dançámos, às vezes juntos, passos seguros, silêncios profundos. Havia um olhar que pedia mais, mas a música mudava sempre cedo demais. Havia um passo no ar, por dar, uma dança suspensa, sem começar. Não foi erro, nem decisão, foi só o tempo a passar entre nós então. Nas festas algo surgia sempre antes, um convite, um atraso, instantes distantes. Eu dizia: “fica para depois”, e o depois nunca veio para nós dois. Levei comigo esse gesto contido, um sim por dizer, nunca permitido. Não como dor, nem arrependimento, mas como pergunta presa no tempo. Refrão (multiple voices, a little louder) Havia um passo no ar, por dar, uma dança suspensa, sem começar. Algumas histórias não querem final, vivem no quase… e isso é real. Anos depois, na rua ao acaso, vi-te passar num ritmo mais lento. Um leve sorriso, nenhum embaraço, mas o coração perdeu o compasso. Passámos um pelo outro sem parar, mas algo antigo voltou a chamar. Não foi saudade, nem desejo em vão, foi aquela dança… outra vez na mão. Algumas danças não pedem chão, ficam guardadas no coração. Vivem na mente, sem nunca acabar, a dança que nunca chegámos a dançar.
